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APRENDENDO COM QUEM SABE: IG DO SORVETE DE ITÁPOLIS SEGUE A TODO VAPOR

há 11 minutos
5 min de leitura

A trajetória para conquistar o reconhecimento do Sorvete Itápolis por meio de uma Indicação Geográfica (IG) avançou mais uma etapa importante nesta quarta-feira, 28 de outubro. Os diretores da ASSIIP – Associação do Setor de Sorvetes de Itápolis e Interior Paulista, Marcela Ferrari, presidente, Flávio Augusto, vice-presidente, e Thiago Prado, diretor, realizaram uma visita técnica ao município de Torrinha, acompanhados pela equipe do escritório regional do Sebrae-SP de Araraquara.


A iniciativa teve como objetivo conhecer de perto a experiência de Torrinha na construção e consolidação de sua Indicação Geográfica para o café arábica, reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A troca de experiências permite observar, na prática, como a organização dos produtores, a valorização da história local, a articulação institucional e o desenvolvimento de uma identidade territorial podem contribuir para o fortalecimento de um produto e de toda a sua cadeia produtiva.


Em Torrinha, o grupo foi recebido por Maria Lucia Baltieri, diretora do Departamento Municipal de Desenvolvimento Econômico e Políticas de Empreendedorismo, na estação ferroviária da cidade, um dos pontos turísticos do município. Durante o encontro, foram apresentados aspectos da experiência local e os resultados alcançados com a valorização do café, que passou a contar com o reconhecimento oficial de sua origem.


O café arábica de Torrinha conquistou o registro de Indicação de Procedência concedido pelo INPI, publicado em 3 de junho de 2025. A conquista reconhece a tradição cafeeira do município e fortalece a identidade de um produto ligado à história, ao conhecimento e ao trabalho de gerações de produtores rurais. A entrega oficial do certificado ocorreu em dezembro daquele ano, marcando uma nova etapa para o desenvolvimento econômico local.


A experiência demonstra que uma Indicação Geográfica vai muito além da criação de um selo. O processo exige organização coletiva, levantamento de evidências históricas, definição de critérios técnicos, estrutura de governança e envolvimento dos diferentes elos da cadeia produtiva.


No caso de Torrinha, a conquista foi construída com a participação de produtores, entidades representativas, poder público, instituições de apoio e a Associação dos Produtores de Café Natural do Bairro do Paraíso do Alto de Torrinha (CAFENATO). A associação desempenhou papel fundamental na organização dos cafeicultores e na solicitação do registro.


Após a visita à estação ferroviária, a comitiva seguiu para o Mosteiro do Paraíso, onde conheceu de perto a atuação dos Agromonges e sua relação com a produção de cafés especiais da região. O local tem ligação com a história da CAFENATO, que encontrou no mosteiro apoio para organizar e fortalecer os produtores locais. Essa parceria representa um exemplo de como instituições com diferentes vocações podem contribuir para uma iniciativa comum, promovendo cooperação, valorização da produção regional e novas oportunidades de desenvolvimento.


Além da produção e da organização dos cafeicultores, o espaço também aproxima o visitante da cultura do café por meio de experiências de degustação e da valorização de produtos locais. Essa integração entre produção, identidade e turismo oferece referências importantes para Itápolis, que busca ampliar o reconhecimento de sua tradição sorveteira e transformar esse patrimônio em novas oportunidades econômicas.


Para Marcela Ferrari, presidente da ASSIIP, conhecer uma iniciativa que já conquistou o reconhecimento oficial representa uma oportunidade valiosa para compreender os desafios e as possibilidades dessa caminhada. “Essa visita é muito importante para nós porque nos permite aprender com quem já passou por esse processo e conquistou o reconhecimento. A ASSIIP, como entidade gestora da CPL do Sorvete de Itápolis e responsável por conduzir esse projeto, entende que cada experiência compartilhada pode contribuir para que avancemos com mais segurança, planejamento e conhecimento. Essa troca certamente tem muito a agregar aos próximos passos”, destaca Marcela.


O projeto de Indicação Geográfica do Sorvete Itápolis busca valorizar o tradicional sorvete de laranja, também conhecido como Sorvete Itápolis, produto que reúne elementos importantes da história econômica e cultural do município. Itápolis construiu uma reputação nacional no setor de sorvetes, resultado da trajetória de famílias empreendedoras, do desenvolvimento de sorveterias e da formação de uma cadeia produtiva que gera empregos e renda.


A receita de laranja também estabelece uma conexão com a história agrícola do município, que teve na citricultura uma de suas atividades de destaque. A proposta é reunir e documentar as evidências que sustentem a relação entre o produto, sua história e o território, consolidando uma base técnica capaz de fundamentar o pedido de reconhecimento.


O trabalho teve início em março de 2025, quando a ASSIIP, em conjunto com o Sebrae-SP, iniciou o processo de qualificação de Itápolis para a construção do projeto. Após a classificação entre as propostas selecionadas no estado de São Paulo, a iniciativa avançou para as etapas de estruturação técnica. Atualmente, o projeto encontra-se na fase de elaboração do Caderno de Especificações Técnicas, documento fundamental para estabelecer as características do produto, sua área de abrangência, os critérios de produção e os mecanismos de controle necessários à futura Indicação Geográfica.


A ASSIIP segue conduzindo o processo como entidade gestora da Cadeia Produtiva Local do Sorvete de Itápolis, com acompanhamento técnico da FESPSP e apoio do Sebrae-SP. O trabalho envolve a organização de informações, a consolidação de documentos e o levantamento de evidências que possam demonstrar a notoriedade do produto e sua ligação com o município. A experiência observada em Torrinha contribui para ampliar a compreensão sobre os desafios dessa construção e reforça a importância de manter o planejamento alinhado às exigências técnicas do INPI.


Para o vice-presidente da ASSIIP, Flávio Augusto, o material reunido até o momento demonstra consistência e permite manter uma perspectiva positiva para a continuidade do cronograma. “Avaliando o material que conseguimos reunir até agora, vejo um trabalho robusto e sólido. O cronograma vem sendo executado na íntegra, dentro dos prazos estabelecidos, e estamos avançando com seriedade em cada etapa. Nossa expectativa é entrar em 2027 com o processo tecnicamente preparado para realizar a solicitação junto ao INPI, cumprindo todas as etapas necessárias”, afirma Flávio.


A previsão reforça o compromisso da entidade com uma construção responsável, baseada em documentação, evidências históricas e critérios técnicos. O protocolo dependerá da conclusão e validação das etapas necessárias, mas a evolução do trabalho mantém o projeto em uma trajetória positiva.


Para a ASSIIP, aprender com iniciativas que já alcançaram esse reconhecimento é parte da preparação para uma conquista que deverá ampliar a visibilidade do Sorvete Itápolis, fortalecer as empresas e contribuir para o desenvolvimento econômico e turístico do município.


A associação seguirá trabalhando ao lado da FESPSP, do Sebrae-SP e dos demais atores envolvidos na construção do projeto, com o objetivo de reunir os elementos necessários para apresentar ao INPI uma solicitação consistente e bem fundamentada. O Sorvete Itápolis tem uma história para contar. O trabalho da ASSIIP é transformar essa história em reconhecimento e valorização territorial para toda a cadeia produtiva.


 

 

 

 

 

 

 
 
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